Há muitos moinhos bem preservados nesta região da Alemanha.
Há umas semanas atrás aproveitei um dia muito bonito com sol, e fiz-me à estrada. Não foi preciso ir muito longe, pois vivo numa região chamada Fehngebiet, onde os canais e moinhos abundam para conseguir algumas fotografias muito interessantes (ver álbum aqui).
Fehngebiet é uma palavra composta pela aglutinação de Fehn + Gebiet (região; zona), que significa região Podemos dizer que Fehn é uma planície rica em água (paul ou pântano) com um habitat natural de muitas espécies de animais e plantas, algumas raras até. Também característicos são os canais (Fehnkanäle), as povoações (Fehnsiedlungen) e as pontes levadiças (Klappbrücke) sobre os canais.
Um canal com uma ponte levadiça em Ostgrossefehn
(Continua... clicar em "Ler Mais")
A ideia ou invenção da Fehnkultur (modo de cultivo das zonas pantanosas) é tida como proveniente dos Países Baixos. No entanto as palavras feen e veen (como se diz na Frísia de Leste) já existiam anteriormente na Alemanha. Por exemplo, a localidade onde vivemos chama-se Veenhusen, cujo significado literal é casario do Veen (ou Fehn). A existência da aldeia de Veenhusen remonta ao século XII. Há menções da povoação nos registos paroquiais da Catedral de Münster em 1435.
Esta é uma região originalmente constituída por pântanos ricos em turfa, chamados Moor.
Ao longo da história, com especial destaque a partir do século XVII, esses pântanos das terras baixas (Países Baixos, Norte da Alemanha, e até da Bélgica) foram “colonizados” com a criação de casarios localizados junto dos canais navegáveis. Os canais maiores (Hauptwieke) serviram, em primeiro lugar para a drenagem dos pântanos, mas também para o transporte da turfa (extraída desses pântanos) por embarcações e ainda para fornecimento de materiais de construção, fertilizantes, etc. As embarcações traziam no regresso os sedimentos dos rios e com isso, a pouco e pouco, os pântanos drenados podiam ser utilizados para agricultura.
A turfa preta eram vendida (e usada) pelos colonos como combustível para aquecimento das casas. Depois as cinzas dessa queima eram aproveitadas como fertilizante dos terrenos. Além disso a turfa seca também era aproveitada como material de construção.
A partir do Hauptwieke saíam outros canais secundários (ver imagem no fim). Em ambos os lados dos canais, os colonos construíram casas simples. As povoações assim estabelecidas receberam a designação de Moorsiedlungen ou Fehnsiedlungen, com a designação mais generalizada de Fehn.
Portanto a designação de Moor tem a ver com as terras, pântanos ou o que resta deles, e Fehn refere-se às povoações aí estabelecidas, termo importado dos holandeses.
Alguns Fehn tomaram os nomes das primeiras famílias que colonizaram essas regiões:
Warsingsfehn, Beningafehn, Jehringsfehn (todas povoações aqui à nossa volta), e muitas outras.
Para ver o meu álbum com moinhos, clique aqui.
Para ver um álbum mais antigo com imagens da paisagem da região (Veenhusen), clicar aqui.
Gravura de 1873 que mostra como eram transformados os pântanos em campos de cultivo
(obtido na internet)
A turfa preta eram vendida (e usada) pelos colonos como combustível para aquecimento das casas. Depois as cinzas dessa queima eram aproveitadas como fertilizante dos terrenos. Além disso a turfa seca também era aproveitada como material de construção.
A partir do Hauptwieke saíam outros canais secundários (ver imagem no fim). Em ambos os lados dos canais, os colonos construíram casas simples. As povoações assim estabelecidas receberam a designação de Moorsiedlungen ou Fehnsiedlungen, com a designação mais generalizada de Fehn.
Portanto a designação de Moor tem a ver com as terras, pântanos ou o que resta deles, e Fehn refere-se às povoações aí estabelecidas, termo importado dos holandeses.
Alguns Fehn tomaram os nomes das primeiras famílias que colonizaram essas regiões:
Warsingsfehn, Beningafehn, Jehringsfehn (todas povoações aqui à nossa volta), e muitas outras.
Para ver o meu álbum com moinhos, clique aqui.
Para ver um álbum mais antigo com imagens da paisagem da região (Veenhusen), clicar aqui.
Este mapa de bolso mostra melhor do que o Google Earth e realça o emaranhado de canais à nossa volta.





Luís, muito bom post, extremamente interessante.
ResponderEliminarMas que pode fazer um Portugues em Veenhusen?
Abraços,
Pedro
Ora cá está mais uma apontamento de reportagem de se lhe tirar o chapéu e, como de costume, bem recheado de imagens para complementar a curiosidade de quem, atentamente, se debruça sobre o que muito bem escreves.
ResponderEliminarEstá quase a fazer um ano que por aí tive a oportunidade de deambular (foram 3 dias, mas muito bons) e este artigo serve que nem luva para matar saudades. Não só a paisagem continua uma bênção para a vista como consola ver tudo continua bem aproveitado e excelentemente tratado.
No que às fotografias diz respeito há que destacar algumas e encaminhá-las para o Flickr...
Abraço,
Meus caros:
ResponderEliminarObrigado pelos comentários.
Fico especialmente satisfeito por saber que o meu postal foi apreciado.
Pedro, penso que a última parte do comentário do meu amigo Yako responderá em boa parte à sua questão. :-)
Há alguns anos quando visitei pela primeira vez esta região eu disse:"Aqui não me importava de viver!". E assim foi :-)
Um abraço.