segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O grande irmão Gu

Composição com olhos de retratos que pintei. Aconselho a não fixar esta imagem por muito tempo, especialmente se estiverem a olhar a menos de 50 cm do ecrã e fixando o centro da imagem. Não me responsabilizo se alguma galinha passar perto dos ecrãs e ficar hipnotizada. :-)

“Na Google, temos plena consciência da confiança que os nossos utilizadores depositam em nós e da nossa responsabilidade em proteger a sua privacidade...”

“...armazenamos os dados para melhorar os nossos resultados de pesquisa e manter a segurança dos nossos sistemas. A análise dos dados dos registos ajuda os nossos engenheiros a refinar a qualidade das pesquisas e a criar serviços úteis e inovadores...”

“...Procuramos alcançar um equilíbrio razoável entre objetivos que apontam em sentidos contrários, como a privacidade dos nossos utilizadores, a segurança dos nossos sistemas e a necessidade de inovação. Acreditamos que tornar os endereços IP anónimos após 9 meses e os cookies nos nossos registos do motor de pesquisa após 18 meses é uma posição equilibrada...”

Vi nos jornais que o Google estava a alterar as regras de contrato com os utilizadores.
Depois recebi um email do Google a avisar-me dessa alteração a partir de Março.
Li com atenção as novas regras.
Tem algumas passagens assustadoras, como as que coloquei no início (haverá muitas outras com certeza).
Mas também li com atenção as regras anteriores.
Comparei. Imprimi para poder fazer anotações. E confesso que não vi muitas diferenças.
Na minha opinião o Google procura criar uma rede social como o Facebook, e faz investidas para que os seus utilizadores adiram a isso. Fracassou com a criação do Buzz. Como isso não funcionou criou outra coisa qualquer, Google Friends ou coisa parecida. Agora a novidade é a criação de um único perfil, entre os diversos serviços do Google (Gmail, Picasa, Calendário, etc.).
À partida isso parece bom, até ajuda a perceber melhor o que temos espalhado pela internet.
Não vi muitas diferenças nos contratos mas isso não quer dizer que não devamos ter cuidado. Ninguém costuma dar nada de graça.
Neste momento, ainda antes do novo contrato o Google reserva-se já o direito de nos controlar bastante.
E não estou só a falar de dados pessoais, mas das nossas comunicações na internet e nos telemóveis.
Quem utilize programas de GPS do Google com telemóveis já lhe deu (com ou sem saber) os direitos de guardarem e registarem a sua posição geográfica.
Ou seja o nosso grande irmão, o Gu (para sermos carinhosos), sabe onde estamos, que língua falamos, do que gostamos, que amigos temos, o que escrevemos e lemos, que computador temos, que browser utilizamos, versão, etc, etc.
Se utilizarmos as tarefas e o calendário com frequência então sabe tanto quanto uma secretária particular.
Tudo isto já é mau quanto baste, ou não?

Quando pesquisamos na internet com o Google, estamos numa bolha (Bubble) à nossa medida. Não vemos tudo o que devíamos porque o Google “sabe” o que queremos. Já nos estudou. Sabe que quando escrevemos a palavra “Golf” não estamos à procura de tacos porque não jogamos mas sim à procura de carros, consoante a nossa preferência.
O Google sabe que consulto diariamente a Wikipédia várias vezes e mostra-me sempre os resultados da Wiki primeiro.
Isso até parece bom, mas será mesmo? É isso que queremos?
Um dos dirigentes do Google na Alemanha disse uma vez numa entrevista a uma revista alemã que o Google quer dar aos seus utilizadores aquilo que eles precisam mesmo sem saberem o que andam à procura. Reflictam um pouco e tentem perceber o alcance desta afirmação.
Posto tudo isto pergunto a mim mesmo: o que fazer?
Apagar tudo, desaparecer da Internet? Deixar de existir neste mundo virtual?
Apagar o blogue e todas as fotografias?
Ainda vou conseguindo existir sem Facebook, e sem telefones “espertos” (smartphones). Mas eliminar o email signica quase deixar de existir.
Não vi nada no novo contrato que já não esteja nos anteriores. O Google até revela transparência e clareza no que escreve.
Acho que o problema principal reside na nossa atitude, em como nos comportamos na internet, no que escolhemos revelar, etc.
Posto tudo isto ainda não tomei uma decisão de rotura, mas se um dia o blogue desaparecer é porque escolhi.
A propósito do Grande Irmão Gu (e dos outros Irmãos que por aí andam!) recordo sempre alguns livros e filmes que me marcaram na juventude. O Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, 1984 de George Orwell, são clássicos que tratam sociedades com extremo controlo.
Outro menos conhecido, Fahrenheit 451, foi uma adaptação cinematográfica do romance homónimo de Ray Bradbury, dirigida por François Truffaut em 1966.
Foi um filme que apesar de nunca mais o ter revisto me marcou profundamente. Não sei (ou talvez saiba!) por que razão nunca mais foi feito um remake moderno. Acho que convém deixar o público na ignorância, sem pensar em problemas profundos. Tratava-se de um mundo no futuro onde os livros eram proibidos, mais não digo...
Estes e muitos outros autores foram-nos avisando. Depois ninguém diga que não foi avisado.
Tenham um bom dia :-)

6 comentários:

  1. Depois de ler isto, como espera que eu tenha um bom dia?
    Hoje em dia, a Internet e' um recurso indispensavel, mas os seus tentaculos multiplicam-se exponencialmente.

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  2. É preocupante saber que, ao fim e ao cabo, a nossa privavidade fica reduzida. Alguém, com a maior facilidade, pode ler esta mensagem que lhe estou a deixar. Incomoda-me. Deixar de existir na internet? “Eles” – o google – sabem que isso não vai acontecer. Que nenhum utilizador vai deixar de navegar devido a estas alterações. Desaparecer da blogosfera é isolar-se! : )
    Agora, ter cuidado com o que se escreve, isso sim. Com o que se pesquisa, também.
    Ninguém dá ponto sem nó. Veremos.

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  3. No Fahrenheit cada resistente tinha como tarefa ter um livro decorado, não era!?
    O espírito do mundo não muda muito, o que muda é a tecnologia - e é cada mais potente, mais omnipresente! Se não for o Google são os multibancos, as portagens, os reconhecimentos faciais nas vigilâncias urbanas,etc.
    O que torna mais imperioso,emorhal assegurar um controlo democrático da sociedade - uma ditadura com estes meios seria muito pior que toda a ficção até hoje produzida!
    Muito oportuno o post!

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  4. Obrigado a todos pelos comentários :-)
    Vou falar com os chineses para ver se levam para a Lua...

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  5. Se pretender rever o "Fahrenheit 451", poderá fazê-lo em:

    http://www.youtube.com/watch?v=ZriW3CPU9G4

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  6. Obrigado amigo CS
    Irei rever com muito agrado :-)

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