terça-feira, 3 de maio de 2011

Os 100 olhos de Argos


Na mitologia grega Argos era um gigante que tinha 100 olhos.  
Argos nunca dormia, pois quando 50 olhos se fechavam para dormir, os outros 50 permaneciam abertos. Por isso mesmo era um excelente vigia.
A ciumenta deusa Hera, esposa de Zeus, deu-lhe a tarefa de tomar conta de Io, uma das muitas amantes do "pai dos deuses e dos homens", da antiga mitologia.  Mas Zeus mandou Hermes que, disfarçado, contou tantas histórias a Argos, que fez com que este caísse de sono, até que todos os olhos se fecharam.  Depois Hermes cortou a cabeça do gigante.
Mais tarde, para homenagear o seu fiel vigia, Hera transformou-o num pavão, pondo os 100 olhos na cauda da ave.

(clicar nas fotos para ampliar)



Os pavões indianos (pavo cristatus) foram domesticados há mais de 3000 anos. A beleza das suas caudas, com cerca de 150 "olhos" (o da fotografia tem exactamente 150!, podem confiar na minha contagem), é intrigante, com muitas cores, brilhos, e figuras em forma de crescentes em tons de azul e verde.
As cores cintilantes das penas do pavão são devidas a um fenómeno físico conhecido como interferência.
Tal como acontece com muitas aves, as cores vibrantes da plumagem não são devidas primariamente à pigmentação das penas, mas sim à forma combinada da reflexão da luz, devidas a interferência óptica de Bragg, na nanoestrutura das bárbulas das penas, que são iridescentes, ou seja, têm a propriedade de criarem cores diferentes.
O mesmo princípio aplica-se às cores brilhantes das borboletas, faisões, aves do paraíso e beija-flores. Ou ainda, as manchas de óleo na água, bolas de sabão, etc.

Uma boa explicação do fenómeno pode ser lida aqui:
http://www.moderna.com.br/boletins/files/ciencias/2010/024.pdf 

Há tipos que até quando são mal-educados têm estilo!

Sem comentários:

Enviar um comentário