sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Numa terra de bicicletas...

 (vista de um dos parques exteriores para bicicletas da estação de Oldenburg, que tem parques subterrâneos ainda maiores)

Depois do post anterior nada melhor do que continuar a falar de bicicletas. Há muito tempo que tinha este postal preparado mas fui sempre adiando, talvez por preguiça em escolher tantos exemplos que tenho nas fotografias. Enfim, podem não ser as melhores (algumas até já terei mostrado) mas servirão para exemplificar o que escrevi :-)
Nesta região pode-se dizer que estamos numa terra das bicicletas, com o terreno quase todo plano, e paisagem muito semelhante ao lado de lá da fronteira holandesa, a poucos quilómetros.
É caso para dizer que a bicicleta tem muita importância na vida das pessoas. Como aliás em toda a Alemanha e muitos países da Europa.
Não se trata apenas de um modo de fazer exercício saudável ou de circular em ciclovias próprias e saborear a paisagem. A bicicleta é o meio de transporte privilegiado para todos!
Desde os mais novos que, quer faça neve, chuva ou sol, a utilizam nos percursos diários para as escolas (mesmo os mais pequenos), até aos mais velhos (e estou a falar de idades de setentas e oitentas que se vêem muitas vezes em cima de bicicletas) e que, muitos sem automóvel, fazem quase tudo de bicicleta (idas às compras, médicos, missa, etc.).
Não estou a falar de bicicletas de corrida, bem apetrechadas ou especiais, mas de máquinas robustas e utilitárias, com cestos, sacolas ou atrelados para poder carregar coisas como compras.
Os alemães não complicam a utilização da bicicleta. Já perceberão o que quero dizer.

Sinais luminosos no centro de Leer, com pistas e sinais só para ciclistas


Carteira a distribuir o correio em Emden

Não há necessidade de matrículas ou licenças para as bicicletas e não é preciso nenhum documento, pois parte-se do princípio correcto que ainda antes de alguns aprenderem a andar já sabem pilotar o veículo de 2 rodas Só as crianças é que são obrigadas a usar capacete de protecção.
Faz-se quase tudo de bicicleta, especialmente no Verão. Algumas pessoas mais idosas, que não têm carro, por vezes fazem as compras com um pequeno atrelado na bicicleta, para transportar as coisas mais volumosas ou pesadas.
É muito engraçado assistir à hora de saída das escolas. As ruas enchem-se de bicicletas, algumas bem pequenas, com jovens carregando as malas da escola às costas em cima da bicicleta. Os mais pequenos são acompanhados pelas mães que os vão buscar de bicicleta.
Ou então, no domingo de manhã, quando nos cruzamos com outras pessoas de bicicleta, vestidas a preceito, para ir à missa ou de visita de domingo a alguém.
Depois há a infra-estruturas: físicas e "mentais".
Todos os passeios são ciclovias, separadas dos peões ou não, e em cada cruzamento os passeios são rebaixados ao nível das ruas para permitir ao ciclista continuar o seu percurso sem interrupções.
Há também parques para bicicletas em todo o lado: à porta das residências, dos médicos, dos bancos,  dos supermercados, etc.
Aquilo a que eu chamo de infra-estruturas mentais, é também muito importante.
Os ciclistas têm sempre prioridade, excepto se atravessarem uma rua principal, ou houver sinais luminosos.
Como todos são ciclistas, também todos respeitam quem anda de bicicleta. Por isso é fácil a questão da prioridade às bicicletas. A bicicleta é como um peão (com rodas) que apenas anda mais depressa. Isso obriga os automobilistas a preverem a sua manobra com todo o cuidado quando viram nos cruzamentos sem semáforos, porque têm de dar a prioridade a todos. É frequente os carros que se preparam para entrar numa rua principal, ao verem a aproximação de um ciclista  no passeio, terem que recuar 2 ou 3 metros para o deixarem passar.
A maioria dos passeios é partilhada por peões e ciclistas, mas há alguns passeios que têm as faixas divididas. Claro que isto tem os seus perigos e é preciso ter cuidado!
As estradas que ligam todas as localidades têm sempre um caminho em alcatrão ao lado para os ciclistas poderem circular.
As casas, lojas, farmácias, bancos, médicos, todos os locais têm parques de estacionamento destinados às bicicletas.
Fiquem-se com alguma fotos :

 
Pode parecer pouco importante mas a rampa ao lado das escadas da passagem subterrânea é para ajudar a subir e descer as bicicletas.

Caminho para peões e bicicletas em coexistência pacífica!


Cerca do meio-dia em Leer, próximo da estação, depois da saída das escolas

Em tempos escrevi um postal realcionado com este tema:
http://postaisalemanha.blogspot.com/2011/02/bicicletas-1-parte.html

7 comentários:

  1. Muito interessante. Denota um grande civismo, um grande respeito mútuo muito louvável. Não estou a ver isso em Portugal.
    Gostei muito do post.
    Bom fim de semana.

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  2. Obrigado Catarina.
    A reparação da bicicleta já está terminada: ficou como nova!
    Um bom fim-de-semana também para si :-)

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  3. Que belo post!
    Tenho pena que por aqui ainda não se faça o mesmo.Eu já desisti de andar na minha porque apanhei vários sustos na estrada só me parecem seguras nas ciclovias.
    Por aí tudo parece ser muito arranjado e civilizado. Havemos de lá chegar mas ainda falta um bocadinho :))

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  4. Já vi que estás um mestre em assuntos velocipédicos.
    Gosto, sobretudo da advertência que fazes aos incautos passageiros sobre uma eventual impregnação pelos dedos dos odores "petrolíferos" a que se sujeitam por aqui passarem... felizmente que não sou alérgico, sobretudo depois de ter levado a vacina dos "draga-minas" :-)
    De facto, com humor até as coisas mais sérias custam menos a digerir...
    Aquele abraço!

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  5. Esses tipos, se vivessem em Portugal, andavam de carrinho como nós, por causa do "nosso frio". Faz cá um friozinho na cabecinha, quando pensamos que podemos parecer pobres!
    Vivam as "farradas"!

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  6. Bom artigo e reportagem fotográfica, Luís!
    Por cá os incentivos parecem poucos, infraestruturas, apoios, etc. o comércio automóvel e combustíveis parecem liderar os anúncios mais passados nos media (revistas, tv, rádio)! Se a política passasse por atribuir um benefício fiscal no IRS para quem pedalasse, talvez assim o portuga pensasse 2 vezes :-)! Abraço

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    1. Essa do benefício no IRS é uma boa ideia :-) Abraço

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