terça-feira, 28 de julho de 2015

Fotografia com matemática e operações lógicas


Hoje vou mostrar um pouco como foi feita a panorâmica de Lübeck do postal anterior.
É uma composição de 8 fotografias captadas no formato de retrato (ao alto) e montadas numa perspectiva Panini, pouco comum nas habituais panorâmicas.
Para o efeito utilizo um programa chamado Hugin, que é gratuito mas muito poderoso matematicamente, e que consegue fazer junções de panorâmicas bastante difíceis.
Além da matemática poderosa que é preciso para efectuar as transformações de coordenadas das fotografias, o Hugin permite coisas maravilhosas, tais como operações de lógica de determinadas partes da fotografia.
Voltemos ao exemplo da minha fotografia, que abrange um ângulo horizontal de 152 graus.
Enquanto fui tirando a sequência de 8 fotografias as pessoas moveram-se.
Na primeira solução o programa apresentou-me uma imagem em que a senhora do lado esquerdo (em primeiro plano) aparecia duas vezes.

Foi preciso indicar zonas de exclusão e inclusão de modo a eliminar essa possibilidade. 
Na imagem inicial mostro as zonas de exclusão assinaladas a preto. Na imagem seguinte podem ver-se os contornos que eu escolhi, a encarnado as zonas de exclusão e a verde uma zona de inclusão.


Só mais umas palavras sobre o tipo de projecção utilizada.
Utilizo poucas vezes as projecções cilíndricas, que tendem a distorcer e entortar as linhas arquitectónicas direitas. Prefiro as projecções rectilíneas ou gnomónicas. 
Neste caso usei uma projecção Panini que, embora sendo do tipo cilíndrico, mantém as linhas verticais e radiais direitas, ficando a imagem com um aspecto muito parecido com a da projecção rectilínea.
Alguns irão dizer que as vossas máquinas fazem isso automaticamente. E fazem, mas o Hugin provavelmente rir-se-á das panorâmicas feitas assim.
Muitas vezes existem imperfeições, só perceptíveis com uma análise mais detalhada.
Há outro aspecto ainda mais importante no que respeita à captação de panorâmicas, que é a posição correcta da máquina.
Para panorâmicas de grande precisão não pode haver erros de paralaxe e não basta rodar a máquina no tripé, é preciso fazer a rotação da máquina no ponto certo, o chamado "ponto nodal" ou ponto de não-paralaxe.
Mas isso fica talvez para outro postal :-)

4 comentários:

  1. Pois é Zé, para alguns a fotografia é fácil, é só carregar a máquina e disparar. Eu escolho sempre os caminhos com pedras :-)
    Abraço para ti e obrigado por comentares.

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  2. E ainda há quem pense que fotografia não é arte e criatividade..
    Manel

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